25 de dezembro de 2008

Um texto para minha mãe

Nunca é pr'essa casa tijolos cimento teto que eu retorno. É para você e é sempre. Meu eterno lar em carne e osso, carne viva, vida. Mãe. Teu colo, onde adormeço depois de madrugadas que eu sonho eternas, entrando de bar em bar, poetizando a realidade e repetindo um a um todos os meus vícios tolos, na tentativa cerzir loucamente como uma agulha cega o espaço entre os dias, que é a sobriedade. E se permaneço, ás vezes, tão longe de você, do seu colo, do seu útero é para que não des-cubra as fragilidades que me sufocam, que não me deixam levantar. Congelei por anos minha maré cheia por não saber onde inundar e só poderia ser em você, mãe.
Tantas tantas palavras e essa mudez própria da indecisão do quanto são precisas para te falar do meu amor do tamanho e da força. Todas essas coisas que vem de ti para mim e retorna, como eu, mãe. Sempre.

Feliz Aniversário

17 de dezembro de 2008

Second Mirror

antes que voem
estilhaços
olhar de relance
o reflexo
no espelho:
espasmo.

(não quero ser
os olhos
de Lubiana
os cabelos os dentes
o sorriso triste
de Lubiana)

Ela mesma, a Poesia

é despertar e enxergar além de o ou a
visão audição olfato tato paladar.
entregar-se para o sentir e perceber.
a Poesia é aprofundar-se
e procurar em si palavras
e substitui-las substitui-las substitui-las
perdê-las e insistir em
re e construir até que
perfeitamente.
e cuspir sem silêncio o que
cuspir sem silêncio
e não implorar ouvintes
mas quando
seduzir e penetrar e abusar.
a Poesia é acariciar
o sofrimento em não esquecer
a obrigação de unir-versos.