29 de janeiro de 2009

Janeiro, 25

e era dia de
amargar com seu cigarro
com o gosto de na sua boca
nada daquele gosto menta
infância pureza e ou castidade
que freia defende
das pastilhas baratas
vendidas pelos garotos no semáforo
Paulista X Augusta
quando não limpam pára
-brisas ou pedem
no nosso meio-beijo despedida
o não saber se voltará ou esse verbo
esse mesmo verbo
na primeira pessoa do plural do futuro indicativo.

e era dia de
desvendar sem mapas
nossos caminhos espalhados pelo corpo
em todos os anos até agora e aqui
nas inúmeras tatuagens
se fosse calor de quase nudez e suores
os trinta graus e mais
meu olhar bem perto
a pele os poros e pelos
com calma típica interior
que é meu avesso e não deixa de
enquanto citássemos dizendo billy corgan
suffer my desire for you - suffer my desire
ou qualquer verso que fosse
intensidade a nossa.

e era dia de
a noite cair alaranjando
os olhos da cidade adormecendo lentos
entre os barulhos de poetas ama-dores
na mesa com cervejas e
as buzinas alardeando por outros
nosso admitir não querer e ser detalhes
nos meus gestos significando sempre
sempre um demais mesmo quando estátua
e enquanto caminhássemos apressados para
o salto o nosso e estilhaçar-se
na realidade absurda
tentar prender as últimas ilusões
linha frágil entre os trilhos e a plataforma do
consolação, tentar mas não.

4 comentários:

geo. disse...

lindos versos, como sempre.

me senti bem ali, na esquina da augusta com a bela cintra - bem perto de casa por sinal.
será que podemos nos encaixar nos poetas amadores? bom, pelo menos uma ama a dor, eu sou!

beijo

Rayanne disse...

Chegou um verso lá em casa pro Paredro. Um verso de vestir, de poeta de sentir. Não tem jeito: você não sabe ser senão DOCE! Querida, querida. Despe da palavras esse tom de saudade fingindo amargura, que eu sei que sob a pele é, só doçura.

**Estrelas, amor meu**

Leandro Jardim disse...

Olá dona Lubi,

Que delícia passar aqui, percebo um lirismo novo, impressionante, forte, belo... coisa boa!

E... sim, recebi o presente!!! ADOREI! Muito muito, fico todo molenga, lisonjeadão, me sentindo todo bobo... e muito feliz por saber que no mundo encontramos almas com as quais as nossas se comunicam... isso, sim, é poesia em sua essência.

Lerei-o com carinho e avidez, sou fã também do Quintana, fico honrado de lembrá-lo de algum jeito! E esse eu não tinha!!!!

Leio, e depois venho contar mais!

beijos muito agradecidos
de um jardineiro que te quer muito bem

camila disse...

tem força, minha florzinha! quanta! me tirou o fôlego. adorei. super. parabéns.