23 de janeiro de 2009

Sobre você no hospital, ás 20:48.

a palavra não é querer
é precisar

me livrar
desse medo de te perder
de repente
poupar sentimento

- mesmo quando dentro de mim
bagunça aquela
ideia fixa
(a falta de acento
me faz pronunciar rígida
como não fosse rigidez a)
morte

o silêncio você rompe
você tem cheiro de fumaça
desperto
eu sei
cigarros são instantes
away from you
mas digo
eu tenho cheiro de fumaça

agora
emergência
seu traje branco
e as paredes
obrigam a calma

quando me desejam
trágica
- ardentemente trágica

porque não basta o dentro
deve haver lágrimas
muitas
mas para eles
você entende
sempre para eles.

preciso lamber meus filhos
antes que seja tarde, mãe.

(antes que seja tarde,
preciso lambê-los.)

6 comentários:

Marrí disse...

Como espinho na garganta, a entrar
arranhando
rasgando
sangrando a alma
molhando a garganta
Agressor da calma
-ardentemente trágica-

Claris disse...

e eu aqui, roendo o esmalte da unha.

SAUDADES!

O2 disse...

Lindo este texto---- dá vontade de chorar... enfim.

Beijo amigo

geo. disse...

que lindo.
atingi dimensões maiores.


beijo

Claris disse...

A ALY POSTOU NO ZIPADAS DEPOIS DE 3 SÉCULOS!

Ariane Rodrigues disse...

Muito me emocionou...