22 de julho de 2009

Longe de outros

teus olhos me falam sobre
o mar. além da cor azul
que acinzenta-se,
a tendência afogar
quando há entrega e
outro corpo torna-se teu:
acariciar tão leve na distância
- gotículas ao vento procurando pele
para invadir até ser
o último suspiro.

6 de julho de 2009

quando o exterior corre em sua ordem de trabalho, faculdade e as mudanças desejadas e necessárias. os pequenos ajustes em mim. e mesmo assim, o interior insiste doendo solitário. nunca soube esse silêncio rompendo meu peito, partindo-me em duas. tão distintas. a perfeição de uma vida e essa tristeza inconsolável que não sei por quê e que me acostumou.
esse silêncio que dói, dói porque nunca antes. pensei ter apreendido as palavras. pensei ser elas meu refúgio. mas agora, sigo as placas, as mesmas placas e não encontro. essa gota de alívio que é a poesia. como disseram, transformar as palavras para falar o dentro antes indecifrável.
esse silêncio quando sou toda inquietação e uma busca apressada pelo novo. quando preciso falar falar para findar a solidão latente. esse frio de não ter abraços pela compreensão.
sou eu mas não me reconheço. sou eu mas não há sentidos sentimentos coloridos. há armagura, mas sou tão nova.
e é tão inverno, como disse outras vezes. o tempo imitando-me é agora. só agora.

1 de julho de 2009

Pedrita



pedrita à noite
adivinha haver dores
mas não onde: massageia de
minhas costas até as pernas.

pedrita ainda não descobriu que
o que dói em mim é o dentro.