24 de março de 2010

atual

assusta-me o que sinto
sem saber
sentir:

sensação de interno
e ainda assim alheio

tumores matam centenas,
diariamente.

22 de março de 2010

pergunto-me por quê vim
se seu tempo é o escapar

sapatos sempre à porta
aquela marca permanente

sobre o tapete sobre
mim sobre o

amor
esse eterno amanhecer.

20 de março de 2010

há tanto tempo não escrevo sobre você

três anos depois da despedida em Congonhas - o beijo mais apaixonado, a previsão da saudade ser desespero, eu me virando para não vê-lo embarcar e o barulho do meu salto solitário pela plataforma. me lembro perfeitamente.
e hoje sei que o temporal que caiu, logo após que entrei no carro, era antecipação das minhas lágrimas.
três anos depois da despedida em Congonhas, nos vemos. quem, de todas as pessoas entre nós, poderia perceber o nosso passado em gestos tão sutis? em gestos que só querem disfarçar.
além da feição, quase não te reconheci. aquela espontaneidade forçada, uma contradição. ao me ver desfilando com copos, rasgando frases com ironias. fingir que não te chocava. fingir que não era desconhecido o que antes você soube até o interno.
não faz sentido. não fez sentido arrastar sentimento quando não havia mais salvação para o nosso amor. e eu falo de mim. sei da amargura que cultivei durante todo esse tempo. porque sempre temi que você fosse o único amado por mim. sempre temi viver apenas de lembranças. foi um erro.
me lembro perfeitamente. copacabana. mas acabou.

9 de março de 2010

O início

da sua boca quero o gosto do mundo.