5 de agosto de 2011

meu amor

meu amor tem um gosto de mar e
                não apenas gosto, tem a ressaca & o refluxo

como praias brasileiras, em julho.


meu amor acorda cedo aos domingos
                xícara de café & cigarros nas mãos

ainda assusta-se com minhas olheiras e cabelos desgrenhados,
                embora sejam os anos.


meu amor tem a urgência de quem não anda,
                meu amor não acredita nos relógios:
                                as horas estão sempre erradas
               
                                                quando o móbile não se move,
                                                                mesmo com tempestades.


meu amor tem o peso de um morto.


meu amor, meu amor deixa os sapatos à porta, antes de entrar
                é sua maneira de não permanecer.

4 comentários:

Pedro Bravo de Souza disse...

Nossa, gostei muito da construção do poema para chegar no último verso.
Sensacional!

Parabéns!

Pedro Bravo.
http://www.fotosdepalavras.info/

Rayanne disse...

Como é que vc viajou ao 60 anos de alguém prá escrever isso, flor? Lindo, lírico, triste!
**Estrelas**

Velho Marujo disse...

Excelente esse jogo de equilíbrio entre o antigo e o moderno. Essa coisa de poesia da velha escola com um teor de papo de botequim...

Estou linkando o blog...

Vez e outra estarei por aqui!

epee disse...

E ainda assim, fica, permanece, dentro e conservado... feito amor de amor, com cor de gosto de amor...

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